Desco pela rua da noite sem rumo definido, no escuro. Porém não me sinto perdido, pois sei onde estou, conheço a cidade. Mas isso incomoda-me terrivelmente. Como se denunciasse a minha deambulação, como se tornasse flagrante que me infiltrei pela noite dentro. Como se a lua tingisse de um branco pálido e aberrantemente incolor o coração descontrolado. Meto pelo primeira porta do primeiro bar que me aparece à frente. Tento afogar o coração e sufocá-lo com cerveja e nicotina. Ele apenas se engasga e continua a bater fortemente. Dolorosamente. Respiro a medo. Cada golfada de ar me alimenta a mágoa de estar aqui. Fechado num bar a dissecar o desconforto da existência nocturna e citadina. Anseio pelo ar da serra e pelo vento pungente que parece que sopra a consciência e o inconseguimento para longe.
Preciso de férias de mim.
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
sexta-feira, março 27, 2015
terça-feira, março 17, 2015
"Ah, epah, e se não queres pintar o quadro, não andes praí a esborratar o chão de tinta. Não é bonito."
"Desculpa... é que as latas tão cheias e eu ando com elas às costas e isto verte..."
"Epah não me venhas com desculpas, fecha lá mazé isso como deve ser. O mundo não é o teu palco."
"Pronto, desculpa, desculpa."
"Desculpa... é que as latas tão cheias e eu ando com elas às costas e isto verte..."
"Epah não me venhas com desculpas, fecha lá mazé isso como deve ser. O mundo não é o teu palco."
"Pronto, desculpa, desculpa."
"No fundo é saber que o sol não brilha de noite."
"Está calado. Tu tens é medo de abrir as janelas."
"Não digas disparates. É cedo. Quando for de dia abro-as."
"O dia, meu caro, está dentro de ti... Só tens que sonhar com mais força."
"Era bom, amigo sonhador. Era bom. Mas sei que é de noite, e que se sair à rua a bradar aos céus que é de dia, o mais que vai acontecer é pensarem que eu sou maluco. Mesmo que não o digam em voz alta. Por isso, espero... Quando for de dia e nos virmos com mais claridade, aí anunciarei ao mundo a aurora."
"Tu é que sabes. Eu cá acho que és só maricas mas pronto."
"Lol."
"Está calado. Tu tens é medo de abrir as janelas."
"Não digas disparates. É cedo. Quando for de dia abro-as."
"O dia, meu caro, está dentro de ti... Só tens que sonhar com mais força."
"Era bom, amigo sonhador. Era bom. Mas sei que é de noite, e que se sair à rua a bradar aos céus que é de dia, o mais que vai acontecer é pensarem que eu sou maluco. Mesmo que não o digam em voz alta. Por isso, espero... Quando for de dia e nos virmos com mais claridade, aí anunciarei ao mundo a aurora."
"Tu é que sabes. Eu cá acho que és só maricas mas pronto."
"Lol."
domingo, março 08, 2015
Palpitam os lugares-sombra neste dia solitário. Vestígios de passagem, de encontros, de desencontros, populam as ruelas da cidade-fantasma em que vagueio. Como se o oleiro da memória fizesse moldes de uma série de objectos conceptuais e os largasse pela casa do hoje, vazia e irritantemente arranjadinha, como se não morasse ali ninguém, como se a presença fosse um mero acaso rodeado de indiferença. Sopra por tudo isto um vento por vezes frio, por vezes quente, chamado coração. Que mostra que ali está, que dá sugestões de temperatura, mas que nada muda por si só. Esta aldeia precisa de um moinho, algo que catalise e que da aragem faça o pão com que alimentar os sentidos, é preciso dar o sinal de partida e dar início à corrida centrífuga da nutrição espiritual. O silêncio urge o cântico a disfarçá-lo, urge as engrenagens existenciais a guinar, urge os instrumentos disponíveis a trinar, urge o poema a escrever-se. Assim se assina a condição humana de solidão e de desejo.
segunda-feira, março 02, 2015
Intenções...
Construo, destruo,
e fica só o nada.
O nada gritante,
o nada exasperante,
fitando de frente a minha indeterminação,
satírico.
Vejo-te, intermitente,
no espaço da imaginação
que se tenta apoderar da realidade
e do vazio.
Tentar desconstruir
para tentar construir -
mas está tudo coberto de medo,
tudo irreconhecível,
abstracto.
Já só quero avançar os ponteiros do relógio
até depois da ponte,
da travessia deste abismo emocional,
sem saber sequer se me esperam
do outro lado.
Não interessa.
Quero dormir esta sensação um pouco,
apagar as cócegas intensas
que me desgastam
e ferem.
O ego, com falta de oxigénio,
tenta vir à superfície
esbracejando loucamente
num mar negro de silêncio e de insónia.
Como é que eu vim ter aqui, pergunto-me.
(Tento racionalizar o facto de me sentir perdido.)
Mas não sei.
Foi tudo demasiado de repente,
como um acidente rodoviário
nas estradas do quotidiano,
nos percursos cartografados,
dos quais me despistei.
É oficial, morreu a dúvida
de que nasceu o amor.
Construo, destruo,
e fica só o nada.
O nada gritante,
o nada exasperante,
fitando de frente a minha indeterminação,
satírico.
Vejo-te, intermitente,
no espaço da imaginação
que se tenta apoderar da realidade
e do vazio.
Tentar desconstruir
para tentar construir -
mas está tudo coberto de medo,
tudo irreconhecível,
abstracto.
Já só quero avançar os ponteiros do relógio
até depois da ponte,
da travessia deste abismo emocional,
sem saber sequer se me esperam
do outro lado.
Não interessa.
Quero dormir esta sensação um pouco,
apagar as cócegas intensas
que me desgastam
e ferem.
O ego, com falta de oxigénio,
tenta vir à superfície
esbracejando loucamente
num mar negro de silêncio e de insónia.
Como é que eu vim ter aqui, pergunto-me.
(Tento racionalizar o facto de me sentir perdido.)
Mas não sei.
Foi tudo demasiado de repente,
como um acidente rodoviário
nas estradas do quotidiano,
nos percursos cartografados,
dos quais me despistei.
É oficial, morreu a dúvida
de que nasceu o amor.
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